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A USP na Contramão da Inteligência


Eram por volta das 22h30 quando resolvemos ir em direção ao ponto diante dos bancos. Era uma noite fresca e estávamos empolgados com o debate após a aula de segunda-feira, e então, resolvemos dispensar uma carona até o metrô para irmos juntos de ônibus.  A conversa animada afastou por um tempo a preocupação com a epopeia que poderia ser a volta para casa. Aliás, voltar para casa tem sido uma epopeia tão homérica quanto à da Ilíada.

No ponto consideravelmente populoso para o horário, o papo foi interrompido com a chegada do Santana 177H, que serviria para nós três. Logo vi que a alegria duraria pouco tempo, porque já se percebia aquela massa homogênea através das janelas, indicando os corpos prensados uns aos outros. Não dava nem para por o pé através da porta. Deixamos passar, e nosso receio com a hora avançada foi aumentando. O papo continuou, com algumas interjeições preocupadas. A demora era certa; os carros passavam, muitas vezes ocupado apenas pelo motorista,  indiferentes à massa que ia se aglomerando no ponto.

Cansados de esperar e preocupados com o fechamento do metrô, uma vez que já passavam das 23h, migramos para o ponto diante da ECA, onde passa o Circular. Havia ainda mais pessoas esperando, com uma cara de desolamento.

– Pô, cara, já passaram uns dois ônibus Circular. Impossível de entrar,  disse um dos estudantes que aguardavam.

Lá no fim da rua, vinha mais um ônibus. Mesma história. Mal cabia uma molécula de oxigênio, quanto mais 15 ou 20 estudantes que aguardavam no ponto. Quem havia conseguido um lugar, continuava fixado, indiferente aos pedidos de “dar um passinho para trás”. Nos recusamos de novo a virar bolinho prensado.

– Será que vamos de táxi?, perguntei.  Mas a ideia de torrar essa grana não era muito atraente. De qualquer forma, nenhum dos dois tinha um tostão no bolso.

-Vamos a pé?, perguntou meu amigo.

– Nem pensar, nesse escuro é perigoso. E não chegaríamos a tempo para o metrô.

Impossível caminhar com calma nas ruas mal iluminadas e perigosas da raia a essa hora. Resolvemos voltar ao ponto inicial, para tentar uma carona. Já eram por volta das 23h30. Ficamos berrando para os carros pararem, quando um finalmente encostou. Com um sorriso estampado no rosto, alegre em ajudar, o bixo de Letras, que já era veterano de Geografia, nos levou até o metro. Sujeito simpático, me fez pensar que eu nunca mais passaria indiferente ao ponto lotado quando estivesse de carro. Na porta do metrô, que estava perto de fechar, agradecemos a ele como a um santo por um milagre.

Meu caminho ainda seria mais rápido. O de outros colegas que chegavam ao metrô ainda teria algumas horas por vir.

Dormi tarde para acordar cedo e a única coisa em que pensava era na minha indignação com a demora de mais de uma hora para poder SAIR da faculdade. As alterações nas linhas de ônibus que passam pela USP não foram simplesmente de trajeto, mas na rotina de grande parte dos estudantes que dependem deste meio de transporte.

O Jornal do Campus noticiou em sua última edição a alteração nas linhas Santana 177-P, 107T Tucuruvi  e  7725-10 Rio Pequeno – Metrô Vila Madalena, e os transtornos que causaram à vida dos estudantes. Sem contar na polêmica extinção dos Circulares gratuitos, para dar lugar a uma linha operada pela SPtrans, no ano passado, que supostamente traria o benefício da integração gratuita com o metrô Butantã.  Supostamente, porque, para adentrar os ônibus destas linhas, que agora são cobradas para aqueles que não pertencem à “comunidade uspiana”, é preciso ter o Busp e muita disponibilidade de tempo na agenda. As filas são quilométricas no terminal Butantã. Não dão conta do fluxo de estudantes, funcionários e passageiros que a utilizam. Demoram para chegar e para sair. Ficam empacados naquele curto trajeto até o P1, geralmente entupido por carros.

A SPTrans alega “que se trata de um projeto de realocação de rotas, causada pelas mudanças que o metrô Butantã trouxe para a região, o que sobreporia alguns trajetos”, segundo o JC. Mas como é possível realocar  rotas,  inclusive evitando completamente sua entrada na USP, sem disponibilizar outras formas de acomodar o mesmo fluxo de pessoas que necessitam delas? Já a USP lava as mãos, responsabilizando a operadora da linha.

Com isso, a “grande” Universidade de São Paulo, ó centro de produção de conhecimento, fecha cada vez mais suas portas ao mundo, afasta os talentos, o capital social que a faz supostamente tão boa. Que política de permanência pode haver, por parte da direção da USP, quando uma simples viagem da porta da sala de aula até o metrô é sinônimo de inferno para estudantes que moram longe, de vez em quando até em outra cidade? Como não pensam no impacto destas mudanças para  aqueles que frequentam a Universidade, e em como ampliar seu acesso, facilitar sua entrada?

Chame de ensaio, artigo, lamento, ou drama de burguês. Esse desabafo não deu para conter. Fico indignada com a falta de respeito demonstrada aos estudantes, quando se ignora a situação precária do transporte e do acesso ao espaço da USP. É revoltante gastar  tantas horas, em pontos escuros, perigosos, para quando finalmente chega um ônibus, não conseguir entrar por causa da lotação absurda.

Com certeza, o meu trajeto não era o mais distante, então se para mim era ruim, imagine para os outros. E, com certeza, é um reflexo da situação da própria cidade de São Paulo, que se torna cada vez mais insustentável e hostil. Cada vez mais, os problemas da Cidade fora dos muros se refletem na Cidade Universitária, dentro dos muros.

Na USP, preferiu manter-se a política do “não-diálogo” e da “não-transparência” com toda a comunidade que usufrui destes serviços, ao não esclarecerem para as pessoas o porquê das mudanças nas linhas, e o que poderia ser feito como alternativa. Não nos foi oferecido nada. Que no mínimo restaurem as linhas que foram retiradas.

Na contramão, a Universidade congestiona a sua própria atividade fim, que é a produção de conhecimento e inteligência.

Um xerox de Seu Fernando


Quem passa algum tempo na Escola de Comunicações e Artes da USP certamente já ouviu falar de Fernando Alberto dos Santos, 54 anos. O dono da copiadora localizada no saguão de entrada do prédio principal da ECA (o CCA) sempre exibe um sorriso cativante em meio às barbas grisalhas, independentemente da pessoa a que está atendendo ou do horário, que é extenso, das 8h às 22h.

Nem sempre foi assim, conta Seu Fernando, como é conhecido. Antes da gráfica, ele tinha uma transportadora. Serviço de xerox era por conta da própria ECA e ficava na biblioteca, o que acarretava muitos problemas: máquinas quebrando, funcionários que faltavam, horário de fechamento do local antes do término da aulas noturnas, muito barulho…

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Alimento para grandes ideias


Como imaginar que conversações regadas a café seriam a base para uma nova forma de  comunicação? Esta é a

Desenho que reúne os princípios do World Café

proposta do World Café, um processo no qual, diálogos focados em torno de questões relevantes são realizados em formatos de “conversas de café”. Seus co-fundadores- ou “descobridores” (founders) – Dra. Juanita Brown e David Isaacs – iniciaram esta trajetória em 1995, em uma tarde chuvosa da Califórnia entre amigos, e hoje já se espalhou por seis continentes e em diversos setores da sociedade.

As “conversas” são realizadas de forma simples e direta, seguindo sete princípios básicos – criar um ambiente acolhedor, estimular a contribuição de todos, compartilharem descobertas coletivas, por exemplo- para que possam ser levadas a qualquer lugar do mundo, mantendo a essência do World Café. Quatro pessoas sentam-se em torno de uma mesa, decorada com flores e toalhas de mesa “rabiscáveis”, discutem entre si uma questão relevante sugerida pelo anfitrião e depois trocam de lugar, para compartilhar as ideias. Uma grande rede de conhecimento começa a tomar forma. Desta forma a inteligência coletiva é construída a partir da colaboração única de cada um presente e uma sinergia estabelece-se entre os presentes. Os pontos abordados são reunidos por um facilitador gráfico em uma tela para que todos possam ver o desenvolvimento. A profundidade que as conversas alcançam tem uma grande capacidade de transformação e ruptura com paradigmas estabelecidos.

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The Pigeon Detectives: O terceiro vem aí


The Pigeon Detectives

Começou em uma tarde de tédio, “zapeando” os canais. Nada interessante, mesmo com inúmeros canais de TV a cabo. Parei por acidente no Multishow HD, canal musical da grade da NET. Um nome incomum me chamou atenção, The Pigeon Detectives. Que raio de banda coloca um nome desses? Até que é engraçado vai…

A curiosidade foi inevitável. Não peguei o início, voltava do intervalo.

Se o nome (Pigeon Detectives) é interessante, no palco, a banda inglesa é muito mais. A atitude e presença de palco do vocalista Matt Bowman são o cartão de visita da banda. Ele (incansável e incessantemente) pula, roda o microfone pelo fio, corre de um lado para o outro. Essa marca registrada de Bowman é a alma do show, já que empolga até o preguiçoso deitado no sofá. Os outros integrantes, mesmo sem o appeal Rock N’ Roll do vocalista, trazem à banda um estilo consistente e agradável a vários gostos musicais.

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