Do lado de cá


Inicialmente postado em Meu Copo de Café.

Acho que vivo em um outro mundo. É que quando li nos jornais hoje e quando vi nos canais de TV e internet ontem, tive a impressão de que um espetáculo foi feito na USP, ao raiar do dia. Nas palavras dos jornais, foi uma “megaoperação”: 400 policiais do Choque (numa proporção de quase seis policiais para cada estudante que estava na reitoria), policiais do COE (Comando de Operações Especiais), cavalaria, 20 viaturas, helicópteros. Não entendi quando mostraram os policiais arrombando as portas e depois, mostrando os batentes quebrados, os apresentadores falando que os estudantes tinham feito tudo aquilo. Não entendi porque criminalizar o Movimento Estudantil. Não entendi a comemoração.

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Os ecos de Seattle na minha memória


Chego sozinha, ao bom e velho Cícero Pompeu de Toledo. Vê camisetas e amantes do rock andando, em procissão. Cabeludos, barbudos; cavanhaques, unhas vermelhas; meia-idades e moleques. Procuro o meu portão. Entro. Converso com um grupo, mudo de lugar e encontro outra moça que,tbm sozinha, decidiu ver Pearl Jam de qualquer maneira. As luzes se apagam. Os gritos começam. E, junto com, um dos shows mais sensacionais de que tenho lembranças.

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Sobre o direito de falar e o dever de ouvir


“Oi, boa noite.

Meu nome é Alessandra e sou aluna do segundo ano de jornalismo.

Pelas falas de hoje, acho que a maioria das pessoas aqui é contra a PM no Campus.

Acho que, para uma mídia que generaliza e superficializa o debate, não podemos dar respostas também superficiais. Só dizer ‘Fora PM do Campus’ não adianta. A sociedade quer respostas. Acredito que tem gente que é a favor da PM aqui porque não vê outra maneira de resolver o problema de segurança no campus. Saiba mais

Uma reflexão sem a pretensão de ser uma verdade absoluta


O que eu penso sobre o confronto com a PM na Cidade Universitária como estudante da USP, moradora de SP  e cidadã

Sou a favor da segurança no Campus;  mas sou contra a presença ostensiva da PM

Sou a favor do direito à manifestação livre;  mas não sou a favor da agressividade utilizada por ambos os lados (com pesos diferentes)

Sou a favor do diálogo no ambiente universitário; mas não sou a favor do quebra-quebra e pancadaria gratuita.

Agora vamos por partes. Saiba mais

Uma flor nasce no Freitas Nobre


Você nasce numa sociedade que diz que o mundo é assim porque sempre o foi e o condena a continuar assim sendo. Você nasce num país em que política é piada, motivo de desgosto ou , no máximo, tratada com indiferença. Você entra numa escola com uma hierarquia que te impede de fazer qualquer outra coisa que não seja sentar na cadeira, anotar falas do professor, decorar fórmulas e estudar para provas. Você faz cursinho e vive meses de uma pressão infernal, engolindo o que não aprendeu em uma década de estudos e vendo outras pessoas que vivem o mesmo sufoco que você como “concorrentes”. Saiba mais

O que é longevidade?


Texto em homenagem àqueles que amo e que muito me ensinam até hoje: meus exemplos de vida, meus avós

 

Ele levanta às cinco da manhã todos os dias. Ela, não passa das oito. A tradicional ida à Capela do Alto – meia hora ida e volta de carro – para buscar o pão fresquinho. As tarefas de casa não os deixam parar por um minuto: limpar a piscina – mesmo no frio -, lavar as roupas e o barro do quintal, podar as plantas, consertar algo. E logo vem a preocupação com o almoço. Antes disso, para ele, uma cervejinha na santa paz daquele sítio. Ela já está no fogão. Ele vai também para o dele. É feijoada, lasanha, linguiça que ele mesmo faz, nhoque, torta de berinjela, bife a rolê – feitos sem o uso de palitos de dente -, tudo acompanhado pelo bom e velho arroz-feijão. Ambos com a “mão na massa” e logo a comida está servida com fartura e opção na mesa. Ninguém come pouco, afinal, décadas de prática na cozinha fazem a diferença. Mas ele maneira, lembra do câncer de intestino vencido há pouco. Saiba mais

Novas regras e coletivos artísticos são destaques no quarto A (p)Arte da Vez


Para Agência Universitária de Notícias e reproduzido em Meu Copo de Café

Próxima quarta-feira (28), às 20 horas, o Teatro da USP (Tusp) lança a quarta edição da revista aParte, publicação de debates teatrais. Acompanhando o lançamento, haverá a quarta edição da A (p)Arte da Vez, uma assembleia de manifestações artísticas. A primeira edição, ocorrida em dezembro do ano passado, foi tida pela crítica como o acontecimento teatral do ano. De acordo com Ferdinando Martins, vice-diretor do Tusp, a opção por unir os eventos se dá para que “o lançamento da revista seja não-tradicional”.

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Fale com ela – um drama amoral em um ato e meio


(texto escrito quando eu estava no primeiro colegial. Achei recentemente)

Ele era novo na escola e odiava aquela estátua estúpida. Estava perdido, dentro de poucos minutos entraria na segunda série do primário, era tímido, não conhecia ninguém, nem professor, nem aluno, nem tia da cantina para perguntar onde diabos ficava a sala 12 e aquela estátua imbecil (mais tarde aprenderia que o nome correto para aquilo era busto, mas enfim) parecia zombar da cara dele, pois não importava o quanto ele andasse: sempre acabava dando de cara com aquele homem sério inútil.

                Já ia perdendo as esperanças quando ele a viu. Não a sala (na verdade, a sala estava logo atrás, mas ele nem a notou), mas ela. Não sabia dizer se era seu cabelo, sua mochila legal do Pateta (finalmente uma garota que não tinha uma da Barbie!) ou o fato de que ela estava tão concentrada colando figurinhas no seu álbum da Copa do Mundo de 94 (!!!) que nem reparou no menino gordinho que a observava de olhos arregalados, mas ele soube, com a certeza das coisas simples e maravilhosas, que ela era ela. Saiba mais

O que incomoda tanto?


Cem homens em um ano

É o número?  O fato de ela ser mulher? É o sexo? Por que Letícia Fernandez, pseudônimo de uma jornalista que registra suas experiências sexuais no blog  “Cem Homens”, incomoda tanto?

A ideia de escrever sobre seus encontros surgiu de uma brincadeira, segundo a própria Letícia, que no início do ano decidiu que queria “fazer muito sexo”. A jornalista de 30 anos estabeleceu para si a meta de transar com cem homens em um ano e registrar os acontecimentos no site. Começou hospedando o endereço no portal da revista Nova, com o nome “Cem homens em um ano”, onde se tornou popular e polêmico. Quando a repercussão do site cresceu e evoluiu para proporções não imaginadas pela jornalista, o blog foi desvinculado da Nova e ela migrou para o outro URL, sob o nome de “Cem Homens”.

Tornou-se conhecida por sua iniciativa ousada e foi entrevistada por publicações como a Época e a Playboy. “Sempre fiz sexo casual, isto não é uma novidade para mim”, disse a blogueira. Ela conta que, quando ainda estava com a Nova, muitas mulheres escreviam para ela dizendo que se identificavam com algumas situações narradas nos posts ou mesmo para demonstrar apoio ou admiração por sua extroversão ao falar de um tema tabu.

Porém,  junto com a “fama” veio também a “intolerância” das pessoas. Quando se cogitou que ela poderia ser nordestina (na reportagem da Época o jornalista escreveu que ela tinha um forte sotaque nordestino, mas ela não revela sua origem), comentários preconceituosos e maliciosos inundaram a caixa de emails de Letícia com coisas do tipo: “Se amarra em um pau de jegue e volta pro nordeste”  e daí para baixo.   Saiba mais

Carta aberta


Aos colegas do departamento de Jornalismo e Editoração (CJE) e à comunidade ecana,

             Nós, alunos do segundo ano de jornalismo do período noturno gostaríamos de comunicar a todos a nossa insatisfação com as aulas da Professora Dra. Alice Mitika Koshiyama e informar nossa “não-matrícula” na disciplina História do Jornalismo II, que seria ministrada neste segundo semestre de 2011.

Nossa turma se reuniu recentemente e, em comum acordo, levantou alguns pontos que nos levaram a tomar essa decisão. Existe um consenso entre nós de que o método pedagógico empregado atualmente pela professora não satisfaz as necessidades de nossa formação. Reconhecemos o seu vasto currículo, bem como seu excelente trabalho como pesquisadora do departamento. Além disso, reconhecemos também o emprego de uma valiosa bibliografia em todas as suas disciplinas. Entretanto, como futuros jornalistas, sabemos da importância de ter um profundo conhecimento sobre nossa profissão, e isso inclui sabermos de fato como o jornalismo se desenvolveu, os conflitos éticos enfrentados pelos profissionais, os casos emblemáticos da profissão, entre outros. Entendemos que podemos nos informar com a leitura da bibliografia – que julgamos muito rica. No entanto, queremos mais que nos informar, queremos aprender. E para aprender, necessitamos de material humano, de um docente que saiba nos passar o conteúdo e nos instigue a analisar esse conteúdo sob uma visão crítica.

No início do primeiro semestre de 2011, mediante o baixo quórum de alunos em sua aula e a dispersão dos presentes, a professora nos reivindicou uma maior presença e participação. Nesse momento, fizemos uma autocrítica de nosso comprometimento como estudantes e vimos aberta uma via de diálogo e possibilidade de mudanças. A partir disso, sugerimos que as aulas fossem mais participativas e dinâmicas, e nos comprometemos a frequentar todas as aulas devidamente preparados com a leitura prévia da bibliografia indicada.

Entretanto, apesar dessa iniciativa, não houve mudanças. Nós nos propusemos a cumprir nosso papel e, ao chegarmos às aulas, elas continuaram superficiais e, sobretudo, sem nenhuma didática. Ao longo do semestre, o que assistimos foi uma sucessão de seminários, apresentados pelos alunos, que se propunham a apresentar o essencial do conteúdo. Ou seja, o trabalho foi feito por nós e para nós. Sabemos que nossa capacidade de ensinar tal conteúdo é bastante restrita, ou, no mínimo, muito aquém da capacidade de um professor doutor. É função dele estimular e mediar o debate gerado durante as aulas.

Na mesma reunião onde tomamos a decisão de não nos matricularmos na disciplina, levantamos o que considerávamos as principais causas de nossa insatisfação em relação às aulas da Prof. Alice Mitika: ela não ministra aulas expositivas de seu conteúdo principal, apenas discute superficialmente os textos indicados no início do cronograma, sem sequer traçar paralelos entre eles. Além disso, os trabalhos e resumos entregues a ela, bem como a prova final, não são devolvidos aos alunos, de modo que o método avaliativo torna-se questionável. Sem contar com o atraso da entrega de notas – estas só foram entregues após quatro semanas do início do semestre.

Por isso, a nossa não-matricula na disciplina visa reivindicar a troca da Professora Alice Mitika Koshiyama. Acreditamos que essa atitude contempla os anseios de outros alunos e também sabemos da dificuldade em se contratar novos docentes,mas até que a situação seja resolvida, permaneceremos oficialmente desligados da disciplina História do Jornalismo II. O departamento está ciente de nossa manifestação, desde a metade do mês de Julho, uma vez que escrevemos um ofício dirigido a Comissão de Curso e ao Conselho do CJE, explicando nossos motivos e nossa reivindicação. A professora Alice Mitika também recebeu pessoalmente uma cópia do ofício e ainda não se pronunciou sobre o mesmo.

No momento, estamos à disposição para debater o assunto e esclarecer possíveis dúvidas. Convidamos a professora para uma reunião onde possamos juntos, discutir o assunto, e esperamos que o departamento dê a devida atenção para o caso.

Segundo ano de Jornalismo, período noturno

(JORNOT 2010)

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