Arquivos da Categoria: Textos

O que é longevidade?


Texto em homenagem àqueles que amo e que muito me ensinam até hoje: meus exemplos de vida, meus avós

 

Ele levanta às cinco da manhã todos os dias. Ela, não passa das oito. A tradicional ida à Capela do Alto – meia hora ida e volta de carro – para buscar o pão fresquinho. As tarefas de casa não os deixam parar por um minuto: limpar a piscina – mesmo no frio -, lavar as roupas e o barro do quintal, podar as plantas, consertar algo. E logo vem a preocupação com o almoço. Antes disso, para ele, uma cervejinha na santa paz daquele sítio. Ela já está no fogão. Ele vai também para o dele. É feijoada, lasanha, linguiça que ele mesmo faz, nhoque, torta de berinjela, bife a rolê – feitos sem o uso de palitos de dente -, tudo acompanhado pelo bom e velho arroz-feijão. Ambos com a “mão na massa” e logo a comida está servida com fartura e opção na mesa. Ninguém come pouco, afinal, décadas de prática na cozinha fazem a diferença. Mas ele maneira, lembra do câncer de intestino vencido há pouco. Saiba mais

Fale com ela – um drama amoral em um ato e meio


(texto escrito quando eu estava no primeiro colegial. Achei recentemente)

Ele era novo na escola e odiava aquela estátua estúpida. Estava perdido, dentro de poucos minutos entraria na segunda série do primário, era tímido, não conhecia ninguém, nem professor, nem aluno, nem tia da cantina para perguntar onde diabos ficava a sala 12 e aquela estátua imbecil (mais tarde aprenderia que o nome correto para aquilo era busto, mas enfim) parecia zombar da cara dele, pois não importava o quanto ele andasse: sempre acabava dando de cara com aquele homem sério inútil.

                Já ia perdendo as esperanças quando ele a viu. Não a sala (na verdade, a sala estava logo atrás, mas ele nem a notou), mas ela. Não sabia dizer se era seu cabelo, sua mochila legal do Pateta (finalmente uma garota que não tinha uma da Barbie!) ou o fato de que ela estava tão concentrada colando figurinhas no seu álbum da Copa do Mundo de 94 (!!!) que nem reparou no menino gordinho que a observava de olhos arregalados, mas ele soube, com a certeza das coisas simples e maravilhosas, que ela era ela. Saiba mais

(In)Comunicáveis


Postado inicialmente em Meu Copo de Café

O dia começa como qualquer outro. Encastelados em seus biombos, cada qual olha fixo para a tela do computador – nem sempre desempenhando as atividades previstas no contrato. Quase nunca desconectados de redes sociais. Uma típica redação de agências de notícias de órgão público.

O silêncio quase sepulcral é cortado, vez ou outra, por bons dias e comentários fubetolísticos devidamente fundamentados na última rodada do campeonato. Ao longe, vê-se os tipos facilmente reconhecíveis. A mulher de meia idade distribuindo seu charme aos quatro cantos do andar. O boa pinta que desperta risos femininos. Os já conhecidos boleiros. E, de lá pra cá, as moças do café.

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Um xerox de Seu Fernando


Quem passa algum tempo na Escola de Comunicações e Artes da USP certamente já ouviu falar de Fernando Alberto dos Santos, 54 anos. O dono da copiadora localizada no saguão de entrada do prédio principal da ECA (o CCA) sempre exibe um sorriso cativante em meio às barbas grisalhas, independentemente da pessoa a que está atendendo ou do horário, que é extenso, das 8h às 22h.

Nem sempre foi assim, conta Seu Fernando, como é conhecido. Antes da gráfica, ele tinha uma transportadora. Serviço de xerox era por conta da própria ECA e ficava na biblioteca, o que acarretava muitos problemas: máquinas quebrando, funcionários que faltavam, horário de fechamento do local antes do término da aulas noturnas, muito barulho…

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Yellow


Não, não estou me referindo à famosa música do Coldplay, tampouco filosofarei sobre o sol ou coisa parecida. Yellow, para mim, foi a primeira palavra que minha irmãzinha falou em inglês.

Até aí tudo bem, muita criança já nasce bilíngüe, sofre o ‘estágio/estádio do espelho’ para somente depois reproduzir a fala e o que mais Lacan e/ou a psicanálise quiser. O que me fez parar para pensar e vir escrever aqui foi o fato de que estou perdendo a alfabetização e tudo o mais da minha irmã que tem três anos de idade. E eu queria saber como é que ELA encara isso.

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Bons sonhos

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