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A poesia dançada de uma vida íntima


O último acorde se alonga e cessa. Os corpos param de se mexer, envolvidos em um longo abraço. Faz-se escuro e uma salva de palmas interrompe o transe. “Eu queria que não acabasse”, comenta a amiga sentada ao lado. “Eu poderia ficar assistindo para sempre.”
Depois de presenciar um dos mais belos pas-de-deux que já vi, o segundo movimento de Bachiana n°1,  coreografado por Rodrigo Pederneiras para a São Paulo Companhia de Dança (SPCD), percebi neste comentário o sentido da dança. Saiba mais

“Gonzaga – De Pai pra Filho”: a emocionante história do Rei do Baião


Quase um mês e meio depois da estreia do filme “Gonzaga – De Pai pra Filho”, no dia 26 de outubro de 2012, ano do centenário de Gonzaga, uma sala de cinema praticamente cheia reflete que a história do rei do baião reverberou com o público.

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O longa do diretor Breno Silveira, que também dirigiu um dos maiores sucessos do cinema brasileiro “Dois Filhos de Francisco”, já ultrapassou a marca de um milhão de espectadores. Ele aborda uma temática similar à de “Dois Filhos”: ambos com origem no nordeste, contam sobre as mazelas do sertão e sobre a delicadeza das relações humanas, principalmente as entre pai e filho, que nesta obra fala sobre como passaram anos brigados.
Mas desta vez, quem conta a história é o filho de Gonzaga, o artista também famoso Gonzaguinha. Saiba mais

Breguice legionária urbana


Eu sempre fui das pessoas mais clichês. Ainda que, para alguns, isso se disfarce sob um punhado de roupas jogadas, cabelo repicado e anéis (milimetricamente) mal jogados, sempre fui (e continuo sendo) clichê. De gosto musical a literatura, sempre curti os classics: aos 14 anos descobri Pink Floyd, depois de começar a gostar do tal “rock” com o grunge do Nirvana. Sempre ouvi falar de um tal Freddie Mercury e, aos 15, me apaixonei perdidamente por Led Zepellin (uma das minhas bandas favoritas até hoje).
 
Mas foi também aos 15 que uma tal “Legião Urbana” começou a ganhar espaço. Como pessoa cliche, até então só conhecia uma meia duzia mais famosa (como “Pais e Filhos” e “Será”). Por causa de uma apresentação de dança, ao fim do primeiro colegial, decidi conhecer um pouco mais. E desde então, essa legião tomou conta de mim e narrou muitas das minhas narrativas, madrugadas e noites a fio. Trilha sonora das amizades que adoçam meus dias (até hoje), dos amores platônicos não realizados ou dos amores vividos terminados. Lembro de ficar minimamente brava quando ouvi a primeira crítica ao legião: “pop e brega de doer”.

Alguma dúvida de que legião é, no mínimo, ABSOLUTAMENTE brega? (capa do cd “O Descobrimento do Brasil”, de 1993)

 
Ao me dirigir ao Espaço das Américas, tinha em mente que não veria o LEGIÃO, mas um tributo com caras que rodaram o país para fazer um som, devidamente acompanhados do (meloso-brega-genioso) Renato Russo. As linhas do tempo se faziam visíveis desde que os vi no Acústico Legião: Marcelo Bonfá, com os cabelos dourados, me pareceu sério e por vezes mecânico, meio robô. Dado Villa Lobos, o mais sério de todos até então, mostrou-se impecavelmente chamoso, com uma tatuagem no braço esquerdo, e mais emocionado do que o habitual. E confirmou ser, para mim, o meu preferido no violão (suspeita que tive desde que ouvi “Índios”, na versão acústica, pela primeira vez).
 

De sério e marrento, Dado Villa lobos torna-se o charmoso (devidamente) malcriado ao mandar um “fã” embora. “Vai para casa, querido, teu lugar não é aqui. Sai, sai”.

 
Talvez parte dos holofotes destinados à (suposta) última vez de Bonfá e Villa Lobos juntos no palco, cantando os sucessos da Legião, tenha sido roubada pelo moço de Rodelas, cidadezica do interior da Bahia. Saltitante e com as veias saltando do pescoço, Wagner Moura levou um numero considerável de mocinhas (e por que não rapazes?) ao delírio. De calças jeans, camiseta cinza e barbicha mal feita, Wagnão não demonstrou a pretensão de substituir Renato Russo. Apesar de estar sobre o palco, ele se portou, do primeiro ao último minuto de show, como fã incondicional (legionário e apaixonado) do Legião Urbana, ressaltando a importância da banda para ele e para o (“pop”) rock nacional. Antes de tocar “Via Láctea” e “Esperando por mim”, duas faixas do CD “A Tempestade” nunca tocadas pela Legião, Wagner contou a história desse CD, dizendo que ele foi feito quando Renato já estava doente. “As letras são fortes, bonitas, mas muito tristes. Renato andava triste, estava doente e deixou isso transparecer muito nesse CD. Deve ser muito difícil para Dado e Marcelo tocarem essas músicas e gostaria de agradecer, como fã, por eles tocarem elas agora e me deixarem dividir o palco com eles”. Como fã, Wagner deixou escapar qual era a sua favorita, logo no começo do show: “Tenho mil favoritas, mas sempre choro antes de Andrea Doria”, confessou.
 
Durante 2h30 me descobri  ainda apaixonada por Legião. É engraçado ver os caras no palco e mudar percepções construídas apenas com cd’s, vídeos e dvd’s. De simpático, Bonfá ficou sendo o durão. De moço sério, Dado passou a charmoso e mal criado (pois mandou um suposto “fã” embora, em certo momento do show): “Seu lugar não é aqui não, meu filho. Vamos espantar o baixo astral”. A razão? “Desculpa aí gente, mas ele me xingou e ofendeu a minha mãe, que está aqui”. Wagner, ator-cantor-modelo-dançarino, torna-se o fã saltitante que pulava mais do que qualquer outro no Espaço das Américas. “É a última vez de Dado e Bonfá juntos, minha gente. Bora aproveitar, porra”, disse inúmeras vezes, com aquele sotaquezin baiano pra lá de dengoso.
 
Fazia tempo que eu não ouvia Legião. Tempo Perdido, Há Tempos, Teatro dos Vampiros, Geração Coca-Cola (que teve uma nova versão sensacional, apimentada com gaita e violão), Quando o Sol Bater na Janela do Teu Quarto, Perfeição, Eu Sei, Daniel na Cova dos Leões, 1965, Monte Castelo (considerada o ápice dos clichês, ganhou uma versão leve, bela, com baixo, violoncelo e orquestra sinfônica) e tantas outras. “Damage Goods”, da Gang of Four, era desconhecida para mim até então, foi uma das melhores surpresas do show, cantada por Dado sorrindo. “Essa é uma das canções importantes que formaram a gente. O Renato estaria muito orgulhoso dele aqui hoje”, disse, emocionado. Ao cantar cada uma delas, um filminho, com flash backs e projeções, se passava na ninha cabeça. As descobertas do colegial, a retrospectiva dos meus 15 anos, os tantos e tantos versos que talvez antes só me pareciam bonitos e hoje fazem mais sentido do que nunca. “Você diz que seus pais não lhe entendem / Mas você não entende seus pais/Você culpa seus pais por tudo / Isso é absurdo” ou “Acho que não sei quem sou / Só sei do que não gosto / E destes dias tão estranhos / Fica a poeira se escondendo pelos cantos”.
 
 
“Pais e Filhos”, um dos hinos da Legião, conhecido-de-cor-e-salteado mesmo por aqueles que detestam a banda, ficou para o finalzinho, no bis.  Foi, sem dúvida, a música mais cantada e mais chorada por todos os fãs ali presentes. Quando os músicos se abraçaram e se curvaram, no que deveria ser a despedida do grupo, o público começa a gritar, numa mescla de odem e pedido: “Faroeste! Faroeste!”. Sem esperar a saída do grupo, as 8 mil pessoas ali presentes começam a cantar os primeiros versos da música considerada o “batismo” para os fãs de Legião. “É o seguinte: essa música nós nunca ensaiamos”, disse Wagner, um tanto surpreso. Após segundos de expectativas, Dado e Bonfá puxam os acordes que narram a famigerada história de João de Santo Cristo, para a insanidade do público presente e do fã Wagner Moura.
 

Deve ter havido quem achou o show uma bosta. Que achou Wagner desafinado (ou mais do que o já esperado). Que saiu querendo uma cópia melhor do Renato Russo. Para quem não encontrou a Legião Urbana sobre o palco (talvez devido a falta de Renato Russo), nada de surpresas. A Legião Urbana não estava (só) no palco; dizia Russo que a Legião éramos nós. Desafinado algumas horas e com o sangue pulsando nas veias após cada salto, Wagner Moura se mostrou o maior dos fãs e não fez questão algum de esconder isso. O nome “tributo” expressou com propriedade o caráter do show: não se trata de cover, mas de uma verdadeira ODE, dos fãs presentes, a uma banda que, criticada ou amada, tem o seu espaço na história da geração coca-cola. Fãs e músicos se misturavam a todo instante no palco: Wagner incrédulo, por vezes desacreditava dividir palco com caras que embalaram a sua adolescência. Dado feliz com a presença do guitarrista Andy Gill, do Gang of Four, uma de suas referências musicais. De alguma maneira, na noite de ontem, todos foram músicos e fãs.

Cresci ouvindo Legião, cujo hino “Pais e Filhos” inspirou minha mãe para nomear  um dos meus irmãos (“meu filho vai ter / nome de santo / quero o nome mais bonito”). Ao chegar em casa, comento o show com minha mãe. Do único show do Legião que viu, minha mãe sempre conta do episódio protagonizado por Renato Russo e um fã. Russo rodou-a-baiana após um fã ter jogado um copinho de água no palco, o que quase resultou no cancelamento do show. Segundo ela, Russo saiu e ameaçou diversas vezes não retornar ao palco. “Hoje vi uma outra versão de um barraco entre o Legião e os fãs”, eu lhe disse, contando a expulsão do cara que xingou Dado Villa Lobos.

                                                                                   

Ser chichê é difícil. Ao gostar de coisas que “não são da minha época” (uso com aspas, pois acho que algumas bandas são tão boas que não há linha do tempo que limite o seu alcance), sempre me lamentei por não estar viva quando Legião, Cazuza, Freddie Mercury, Led Zeppelin e tantos outros estavam vivos (ou na ativa). Sem ter expectativas de ver uma reencarnação do Renato Russo e reviver a Legião Urbana da década de 80, achei que o tributo mostrou a que veio. Wagner Moura, ainda que ciente da responsa, não teve medo de se jogar e ser mais fã do que qualquer outra coisa. Dado e Marcelo subiram no palco (dizem que pela última vez) para tocar os sucessos da Legião. E o público, sem medo de parecerem bregas ou saudosistas, cantou cada música, assistindo filmes pessoais cuja trilha-sonora foi cantada por Renato Russo ou imaginando como seria viver alguns versos cantados por ele.

Já ouvi amigos dizerem que, pior do que Legião, só um Legionário. Aquele admirador chato, que pede Faroeste Caboclo em todo luau e considera Renato Russo como semi-deus. Sem dar uma de fã ufanista (aliás, nunca gostei do termo “ídolo”), acho que o show de ontem me lembrou por que Legião ainda me faz tanto sentido. Acho que a visceralidade e o exagero dos versos do grupo chegam a uma intensidade considerada “brega”. Ontem, por diversas vezes, ao lembrar versos esquecidos na gaveta da minha memória e ao ouvir declarações apaixonadas de Wagner Moura, me perguntei se “brega” pode adjetivar a Legião Urbana. E concluí que sim. A visceralidade das músicas de Russo, Dado e Bonfá escracha em versos os clichês que, mesmo sob tal condição, se mostram por vezes ausentes no nosso cotidiano. Ou você (principalmente se morar em São Paulo) nunca se perguntou onde diabos anda o amor após uma discussão no trânsito ou após receber aquele “bom dia” obrigatório e seco no trabalho? E o que dizer da solidão sentida mesmo estando rodeado por dezenas de pessoas? E o vazio que nos toma em alguns momentos da vida, mesmo quando nos encontramos repletos do trio “saúde, bom emprego e família”?

Legião Urbana é brega. É escrachado e intenso, sem medo de ser feliz. Faz CDs de capas floridas e vomita o consumismo da geração coca-cola. É trilha sonora perfeita para despedidas, questionamentos políticos, primeiros amores e ressacas amorosas, revoltas internas, luaus com os amigos na viagem de fim de ano e tantas outras memórias boas que serão rapidamente lembradas naquele tal filme interior que antecederá nosso último suspiro. Multifacetada, inconstante, que jura amor e ódio no intervalo de dois versos; doce e revoltada. Legião, bem como o amor e outros clichês que escrevem nossa vida a cada dia, é absolutamente brega. Em meio a tanta banalidade, senso comum e insensibilidade, ouso dizer que precisamos ser mais bregas. Buscar nossas autenticidades; questionar nossas certezas, talvez mudar, talvez não; e fazer o que achar que devemos, sem medo do que os outros vão pensar. Nos descobrirmos em nossas fragilidades, nossos medos, nossas falhas; transparecê-las e, assim, mostrar-nos mais humanos, mais frágeis e menos heróis. Se precisamos de mais breguice, talvez Legião continue sendo lembrado por alguns anos (para o desespero dos cults e alegria dos bregas sensíveis e sentimentalóides).

Um ode ao brega. E vida longa à Legião Urbana.

Long live rock’n’roll


Mais um show de rock. Mais uma multidão. Mais horas de fila e espera.

Primeiro festival de música da minha vida. Típico da cultura norte-americana (que originou o Lollapalooza e tantos outros ), os festivais vem tomado cada vez mais espaço no Brasil. Apesar da presença de bandas como Joan Jett and the Blackhearts, O Rappa e Marcelo Nova (coroa que inspirou tantas bandas do cenário nacional de hoje e que fez um show repleto de rock barulhento e de ironia corrosiva), o quinteto de Chicago era, sem dúvida, a atração mais aguardada da noite. Saiba mais

Olhos verdes difíceis de injuriar


As luzes se apagam. Alguns focos de luz iluminam o palco. Ele entra, discreto, de blusa e calça pretas. O som começa, o violão dá seus primeiros acordes. “Boa noite”, diz, sorrindo.

Acompanhado por uma banda maravilhosa e iluminação belíssima, os olhos-verdes-mais-famosos-do-Brasil começam a apresentação. Ao término da primeira música, ouço os primeiros assobios e “LINDOOOO” da noite. Na timidez que me já parece usual, não me deixo zangar com os poucas falas trocadas com o público. Ele sorri, agradece e inicia a próxima canção.

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Os ecos de Seattle na minha memória


Chego sozinha, ao bom e velho Cícero Pompeu de Toledo. Vê camisetas e amantes do rock andando, em procissão. Cabeludos, barbudos; cavanhaques, unhas vermelhas; meia-idades e moleques. Procuro o meu portão. Entro. Converso com um grupo, mudo de lugar e encontro outra moça que,tbm sozinha, decidiu ver Pearl Jam de qualquer maneira. As luzes se apagam. Os gritos começam. E, junto com, um dos shows mais sensacionais de que tenho lembranças.

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O que é longevidade?


Texto em homenagem àqueles que amo e que muito me ensinam até hoje: meus exemplos de vida, meus avós

 

Ele levanta às cinco da manhã todos os dias. Ela, não passa das oito. A tradicional ida à Capela do Alto – meia hora ida e volta de carro – para buscar o pão fresquinho. As tarefas de casa não os deixam parar por um minuto: limpar a piscina – mesmo no frio -, lavar as roupas e o barro do quintal, podar as plantas, consertar algo. E logo vem a preocupação com o almoço. Antes disso, para ele, uma cervejinha na santa paz daquele sítio. Ela já está no fogão. Ele vai também para o dele. É feijoada, lasanha, linguiça que ele mesmo faz, nhoque, torta de berinjela, bife a rolê – feitos sem o uso de palitos de dente -, tudo acompanhado pelo bom e velho arroz-feijão. Ambos com a “mão na massa” e logo a comida está servida com fartura e opção na mesa. Ninguém come pouco, afinal, décadas de prática na cozinha fazem a diferença. Mas ele maneira, lembra do câncer de intestino vencido há pouco. Saiba mais

Novas regras e coletivos artísticos são destaques no quarto A (p)Arte da Vez


Para Agência Universitária de Notícias e reproduzido em Meu Copo de Café

Próxima quarta-feira (28), às 20 horas, o Teatro da USP (Tusp) lança a quarta edição da revista aParte, publicação de debates teatrais. Acompanhando o lançamento, haverá a quarta edição da A (p)Arte da Vez, uma assembleia de manifestações artísticas. A primeira edição, ocorrida em dezembro do ano passado, foi tida pela crítica como o acontecimento teatral do ano. De acordo com Ferdinando Martins, vice-diretor do Tusp, a opção por unir os eventos se dá para que “o lançamento da revista seja não-tradicional”.

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“Se o povo soubesse o valor que ele tem, não agüentava desaforo de ninguém”


Peça da mostra de teatro militante discute o abandono sofrido por migrantes e o papel do Estado na garantia de direitos como moradia

A desterritorialização dos migrantes, o direito à moradia, nordestinos e a perda de sua identidade em meio à selva de pedra paulistana. As histórias de vida dos moradores da região do extremo leste de São Paulo unem essas três temáticas no espetáculo “Ser TÃO Ser – Narrativas da Outra Margem”,da companhia teatral de rua Buraco D’Oráculo. Essa é uma das peças exibidas na mostra Militância Teatral na Periferia, que ocorre entre 7 e 31 de Julho no TUSP (Teatro da USP).

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A Bolha


Para Meu Copo de Café

Não tivesse morrido em 1956, poderia-se facilmente confundir Bertold Brecht como autor da peça Este Lado Para Cima – Isto Não É Um Espetáculo, da Brava Companhia. A comparação é inevitável e flagrante.

Foto: Divulgação FIT-Rio Preto

O épico conta a história da formação de uma cidade qualquer desde o seu começo, com a desapropriação de ninguém pelo progresso. Aos olhos do público, espalhado pela rua, vão se desenrolando cenas cheias de críticas ácidas à sociedade espetáculo-consumista – e aí o sub-título da peça ganha uma força irônica tremenda.

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