Carta aberta


Aos colegas do departamento de Jornalismo e Editoração (CJE) e à comunidade ecana,

             Nós, alunos do segundo ano de jornalismo do período noturno gostaríamos de comunicar a todos a nossa insatisfação com as aulas da Professora Dra. Alice Mitika Koshiyama e informar nossa “não-matrícula” na disciplina História do Jornalismo II, que seria ministrada neste segundo semestre de 2011.

Nossa turma se reuniu recentemente e, em comum acordo, levantou alguns pontos que nos levaram a tomar essa decisão. Existe um consenso entre nós de que o método pedagógico empregado atualmente pela professora não satisfaz as necessidades de nossa formação. Reconhecemos o seu vasto currículo, bem como seu excelente trabalho como pesquisadora do departamento. Além disso, reconhecemos também o emprego de uma valiosa bibliografia em todas as suas disciplinas. Entretanto, como futuros jornalistas, sabemos da importância de ter um profundo conhecimento sobre nossa profissão, e isso inclui sabermos de fato como o jornalismo se desenvolveu, os conflitos éticos enfrentados pelos profissionais, os casos emblemáticos da profissão, entre outros. Entendemos que podemos nos informar com a leitura da bibliografia – que julgamos muito rica. No entanto, queremos mais que nos informar, queremos aprender. E para aprender, necessitamos de material humano, de um docente que saiba nos passar o conteúdo e nos instigue a analisar esse conteúdo sob uma visão crítica.

No início do primeiro semestre de 2011, mediante o baixo quórum de alunos em sua aula e a dispersão dos presentes, a professora nos reivindicou uma maior presença e participação. Nesse momento, fizemos uma autocrítica de nosso comprometimento como estudantes e vimos aberta uma via de diálogo e possibilidade de mudanças. A partir disso, sugerimos que as aulas fossem mais participativas e dinâmicas, e nos comprometemos a frequentar todas as aulas devidamente preparados com a leitura prévia da bibliografia indicada.

Entretanto, apesar dessa iniciativa, não houve mudanças. Nós nos propusemos a cumprir nosso papel e, ao chegarmos às aulas, elas continuaram superficiais e, sobretudo, sem nenhuma didática. Ao longo do semestre, o que assistimos foi uma sucessão de seminários, apresentados pelos alunos, que se propunham a apresentar o essencial do conteúdo. Ou seja, o trabalho foi feito por nós e para nós. Sabemos que nossa capacidade de ensinar tal conteúdo é bastante restrita, ou, no mínimo, muito aquém da capacidade de um professor doutor. É função dele estimular e mediar o debate gerado durante as aulas.

Na mesma reunião onde tomamos a decisão de não nos matricularmos na disciplina, levantamos o que considerávamos as principais causas de nossa insatisfação em relação às aulas da Prof. Alice Mitika: ela não ministra aulas expositivas de seu conteúdo principal, apenas discute superficialmente os textos indicados no início do cronograma, sem sequer traçar paralelos entre eles. Além disso, os trabalhos e resumos entregues a ela, bem como a prova final, não são devolvidos aos alunos, de modo que o método avaliativo torna-se questionável. Sem contar com o atraso da entrega de notas – estas só foram entregues após quatro semanas do início do semestre.

Por isso, a nossa não-matricula na disciplina visa reivindicar a troca da Professora Alice Mitika Koshiyama. Acreditamos que essa atitude contempla os anseios de outros alunos e também sabemos da dificuldade em se contratar novos docentes,mas até que a situação seja resolvida, permaneceremos oficialmente desligados da disciplina História do Jornalismo II. O departamento está ciente de nossa manifestação, desde a metade do mês de Julho, uma vez que escrevemos um ofício dirigido a Comissão de Curso e ao Conselho do CJE, explicando nossos motivos e nossa reivindicação. A professora Alice Mitika também recebeu pessoalmente uma cópia do ofício e ainda não se pronunciou sobre o mesmo.

No momento, estamos à disposição para debater o assunto e esclarecer possíveis dúvidas. Convidamos a professora para uma reunião onde possamos juntos, discutir o assunto, e esperamos que o departamento dê a devida atenção para o caso.

Segundo ano de Jornalismo, período noturno

(JORNOT 2010)

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