O que é longevidade?


Texto em homenagem àqueles que amo e que muito me ensinam até hoje: meus exemplos de vida, meus avós

 

Ele levanta às cinco da manhã todos os dias. Ela, não passa das oito. A tradicional ida à Capela do Alto – meia hora ida e volta de carro – para buscar o pão fresquinho. As tarefas de casa não os deixam parar por um minuto: limpar a piscina – mesmo no frio -, lavar as roupas e o barro do quintal, podar as plantas, consertar algo. E logo vem a preocupação com o almoço. Antes disso, para ele, uma cervejinha na santa paz daquele sítio. Ela já está no fogão. Ele vai também para o dele. É feijoada, lasanha, linguiça que ele mesmo faz, nhoque, torta de berinjela, bife a rolê – feitos sem o uso de palitos de dente -, tudo acompanhado pelo bom e velho arroz-feijão. Ambos com a “mão na massa” e logo a comida está servida com fartura e opção na mesa. Ninguém come pouco, afinal, décadas de prática na cozinha fazem a diferença. Mas ele maneira, lembra do câncer de intestino vencido há pouco. Saiba mais

Um xerox de Seu Fernando


Quem passa algum tempo na Escola de Comunicações e Artes da USP certamente já ouviu falar de Fernando Alberto dos Santos, 54 anos. O dono da copiadora localizada no saguão de entrada do prédio principal da ECA (o CCA) sempre exibe um sorriso cativante em meio às barbas grisalhas, independentemente da pessoa a que está atendendo ou do horário, que é extenso, das 8h às 22h.

Nem sempre foi assim, conta Seu Fernando, como é conhecido. Antes da gráfica, ele tinha uma transportadora. Serviço de xerox era por conta da própria ECA e ficava na biblioteca, o que acarretava muitos problemas: máquinas quebrando, funcionários que faltavam, horário de fechamento do local antes do término da aulas noturnas, muito barulho…

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Yellow


Não, não estou me referindo à famosa música do Coldplay, tampouco filosofarei sobre o sol ou coisa parecida. Yellow, para mim, foi a primeira palavra que minha irmãzinha falou em inglês.

Até aí tudo bem, muita criança já nasce bilíngüe, sofre o ‘estágio/estádio do espelho’ para somente depois reproduzir a fala e o que mais Lacan e/ou a psicanálise quiser. O que me fez parar para pensar e vir escrever aqui foi o fato de que estou perdendo a alfabetização e tudo o mais da minha irmã que tem três anos de idade. E eu queria saber como é que ELA encara isso.

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O incômodo do ‘Cisne Negro’


Sim, porque o filme incomoda. Não achei palavra melhor para designar a sensação de dúvida, estranhamento e identificação vivenciada ao vê-lo no cinema. Vá lá assistir para saber do que estou falando ou admita-se como insensível se você não concorda. Nada de loura angelical, nem morena tentadora, como pregou durante tanto tempo a literatura. Já era o maniqueísmo dos contos-de-fadas, o mocinho contra o vilão. E está aí o drama psicológico ‘Cisne Negro’, que estreou em 4 de fevereiro nos cinemas, para não nos deixar mentir.

No longa, a protagonista Natalie Portman encarna com genialidade o papel de uma moça ‘certinha’ que precisa encontrar sua versão ‘malvada’, por assim dizer, para realizar um grande sonho. Para tal transposição entre Natalies, o longa abusa de metáforas e imagens já desgastadas, como o branco e preto, a gêmea do mal e a do bem. A sensação de realidade experimentada talvez venha do fato de ser o balé (e a ideia de dedicação que o envolve) o plano de fundo para a criação do ‘lado B’ da personagem.

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