Cinema, pipocas e…. tênis?


João Moro

Neste domingo (03/07/2011) a rede Cinemark promoveu interessante iniciativa com o intuito de atingir um público mais específico que os espectadores de filmes, e transmitiu ao vivo e em 3D a final do Torneio de Wimbledon de tênis. A transmissão ocorreu em seis praças por todo o Brasil: São Paulo, Alphaville/Tamboré, Campinas, Rio de Janeiro, Niterói e Brasília.

O slogan da empresa foi válido neste último domingo

Essa não foi a primeira ação do gênero que os cinemas brasileiros realizaram. O próprio Cinemark transmitiu há algumas semanas a final da Uefa Champions League entre Manchester United e Barcelona, além de dois jogos da Copa do Mundo de 2010 – todos em três dimensões.

Essas transmissões “diferentes” para o cinema não são apenas esportivas, como disse o presidente da rede Cinemark no Brasil, Marcelo Bertini. Marcelo explicou que a rede Cinemark vislumbrou uma possibilidade de atingir públicos e nichos especializados além dos 40 milhões de espectadores anuais de cinema.

Com isso, a transmissão – sobretudo ao vivo – de eventos culturais, como teatros e óperas – o Cinemark transmitiu ao vivo, e em 3D, além dos citados esportivos, traz a possibilidade de novas perspectivas para o consumidor e para a própria empresa. A transmissão ao vivo de óperas diretamente do Metropolitan Opera House de Nova York é outro exemplo da inovação proposta pelo Cinemark.

No caso do jogo de tênis, em específico, a sessão estava completamente lotada, mesmo com os altos preços cobrados. A inteira saía por R$ 60, enquanto a meia-entrada custava R$ 30. Entretanto o preço salgado não afastou o público, que chegou cedo para acompanhar a partida entre Rafael Nadal e Novak Djokovic em Londres. O jogo começava às 10 da manhã no horário brasileiro, e nem isso diminuiu o consumo de pipocas e refrigerantes, mostrando o acerto da rede Cinemark na realização do evento.

A transmissão do evento

A transmissão em si contou com algumas falhas por conta de interferência do satélite. O Presidente da rede disse que foi um problema isolado de São Paulo (shopping Eldorado), e que isso se deu por uma alteração climática que resultou numa modificação das rotas dos aviões que operam no aeroporto de Congonhas.

Um comentarista português também fazia as risadas da plateia, ao utilizar termos tenísticos lusos que são muito diferente dos brasileiros. Assim, Nadal se tornou esquerdino, apesar de ser canhoto; o piso em Wimbledon era a relva e não a grama; o circuito tem predomínio das Hard Courts (pronuncia-se ÁRD CURTS), e não as quadras duras.

O comentarista brasileiro na transmissão era Marcelo Barreto, do SporTV, alocado para a pré cobertura das Olimpíadas de Londres, mas sua pouca familiaridade com o tênis trouxe mais risadas, como a discussão sobre o número de batidas de bola no serviço de Djokovic.

As ações da plateia, e as três dimensões

Mas nem isso tirou o ânimo do público, que se portava como se estivesse na quadra central do All England Lawn Tennis and Croquet Club. Aplausos, lamentações, comentários; tudo do jeitinho que estava acontecendo em Londres, mas dentro da sala de cinema.

O efeito tridimensional contribuía para isso, e durante a partida, a sensação era de estar na posição do juiz de linha, logo atrás da quadra de jogo. Normalmente há a ideia de que assistir em 3D resultará em efeitos diferentes, como “desviar da bola”, mas no caso em questão, era como estar dentro da quadra.

É realmente uma experiência muito interessante, diferente (i) do que se costuma ver em três dimensões, como filmes de Tim Burton e (ii) do que qualquer outra transmissão esportiva, pois você está numa sala de cinema e não há intervalos comerciais.

A finalíssima de SW19

Quanto ao jogo, tanto quem estava na sala de cinema, como quem estava em Wimbledon, queria uma partida épica, de 5 sets. Mas Djokovic mostrou verdadeiramente porque é o atual número 1 do ranking mundial. Golpes sólidos na base, um serviço também muito sólido e uma força mental impressionante não permitiram que Nadal pudesse pensar em vencer a partida.

Ainda que o espanhol tenha endurecido o primeiro set, ‘Nole’ engoliu o Touro Miúra ao quebrá-lo no décimo game e fechar a parcial em 6/4. Tanto, que o segundo set foi um festival de linhas, winners e grandes golpes de Djoko, enquanto Rafa tentava se achar no jogo: resultado 6/1 para o sérvio.

Um relaxamento natural na terceira parcial abriu uma porta para Nadal, algo muito perigoso em se tratando do espanhol. Nadal impôs seu jogo no set, fazendo com que Djokovic aumentasse a quantidade de erros não-forçados de direita, e levou tranquilamente o set em 6/1.

No quarto set, o jogo se tornou nervoso, e a partida perdeu em qualidade. Tanto Rafa como Nole encurtaram o braço, e não partiam mais para bolas vencedoras na linha como faziam nos sets anteriores. Isso permitiu uma quebra de saque para Djoko que foi prontamente devolvida por Nadal no início do set. Mas na hora de a ‘onça beber água’, como diz o comentarista Paulo Cleto, a partida pendeu para o sérvio, que conseguiu no oitavo game uma quebra, e sacou para vencer o campeonato.

O ranking mundial em boas mãos

Nadal nunca havia perdido uma final de Grand Slam para alguém que não Roger Federer, e talvez isso represente o feito de Djokovic, que já havia garantido o posto máximo no ranking mundial ao vencer a semifinal contra o francês Jo-Wilfried Tsonga.

Nem o próprio sérvio entendeu muito bem o tamanho de seu feito, prova disso foi a emblemática comemoração com ‘Nole’ saboreando um pouco da sagrada grama de Wimbledon.

Acho que não faltou nem tempero para Djokovic

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