Alimento para grandes ideias


Como imaginar que conversações regadas a café seriam a base para uma nova forma de  comunicação? Esta é a

Desenho que reúne os princípios do World Café

proposta do World Café, um processo no qual, diálogos focados em torno de questões relevantes são realizados em formatos de “conversas de café”. Seus co-fundadores- ou “descobridores” (founders) – Dra. Juanita Brown e David Isaacs – iniciaram esta trajetória em 1995, em uma tarde chuvosa da Califórnia entre amigos, e hoje já se espalhou por seis continentes e em diversos setores da sociedade.

As “conversas” são realizadas de forma simples e direta, seguindo sete princípios básicos – criar um ambiente acolhedor, estimular a contribuição de todos, compartilharem descobertas coletivas, por exemplo- para que possam ser levadas a qualquer lugar do mundo, mantendo a essência do World Café. Quatro pessoas sentam-se em torno de uma mesa, decorada com flores e toalhas de mesa “rabiscáveis”, discutem entre si uma questão relevante sugerida pelo anfitrião e depois trocam de lugar, para compartilhar as ideias. Uma grande rede de conhecimento começa a tomar forma. Desta forma a inteligência coletiva é construída a partir da colaboração única de cada um presente e uma sinergia estabelece-se entre os presentes. Os pontos abordados são reunidos por um facilitador gráfico em uma tela para que todos possam ver o desenvolvimento. A profundidade que as conversas alcançam tem uma grande capacidade de transformação e ruptura com paradigmas estabelecidos.

As razões pelas quais se espalhou tão rápido são: a simplicidade de implementação, pois para se ter sucesso é necessário apenas seguir os sete princípios básicos, a universalidade inerente à proposta, já que é familiar a qualquer cultura sentar-se em torno de uma mesa para discutir questões com as quais se importam e pelo fato de seus realizadores não terem restringido o acesso a ninguém por meio de patentes. O essencial é o espírito do presente, quer dizer, algo que se dá e compartilha entre amigos, ou mesmo desconhecidos, saindo sempre com um presente, que é toda a experiência em si.

O World Café não é apenas possível entre pequenos grupos. É usado, por exemplo, por grandes corporações para se discutir novas políticas de empresa. Mas, é também utilizado por comunidades, ONGS, ministérios e até mesmo a ONU. O intuito do processo não é necessariamente chegar a uma conclusão ou pô-lo em prática. Se ocorrer, melhor ainda, mas David Isaacs explica: “O significado mais profundo é o processo. O momento de aprendizagem e troca entre seres humanos já é uma ação em si, ou implicará numa ação futura.”

No Brasil, David e Juanita participaram recentemente de um café com o projeto Guerreiros sem Armas, em Santos. O projeto visa a fornecer subsídios para jovens possam oferecer à sua região soluções para problemas sociais e ambientais. Também o projeto Oásis Santa Catarina, movimento iniciado por jovens que convida a sociedade a juntar esforços frente a um desafio comum: garantir um futuro sustentável para o ser humano utiliza-se das “conversas de café”.Ambos discutem sobre como querem e podem construir um futuro melhor.

Cafés Multigeracionais

Uma nova “versão” das “conversas de café” estão sendo realizados no mundo inteiro. David explica que a oportunidade de unir quatro gerações ao mesmo tempo nunca havia ocorrido antes. Melhorias nos campos da saúde e bem estar aumentaram a expectativa de vida, e a geração “sênior” é vibrante e quer se sentir útil. A sociedade baseada na “prosperidade da juventude” acaba por não ouvir a experiência que os idosos têm a oferecer. A constatação de que havia muito para ser partilhado entre as gerações deu origem aos cafés multi/intergeracionais.

Encontros entre gerações com mentalidades tão diferentes são possíveis, pois neles não existem hierarquias. Sentam-se à mesa pessoas de 20 a 80 anos para discutir questões que lhes são importantes, de igual para igual, acolhendo as opiniões divergentes. Ao invés de afastarem-se construindo muros, aproximam-se construindo pontes. Isto tudo é possível graças ao ambiente que é criado, onde as pessoas sentem-se confortáveis para serem elas mesmas. O que estas conversas proporcionam? Respeito entre gerações e a criação de ferramentas para a construção coletiva de um futuro melhor. Parece algo distante? Não. No último dia 4 deste mês, aconteceu na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo um encontro deste tipo. Convidados com idades que variavam entre 23 e 76 anos interagiram por três horas, para discutir questões que envolviam a construção de um mundo melhor e o aproveitamento da sabedoria de todos.

Em cada geração passamos por um questionamento diferente

Novas formas de conversar

Meios complementares aos usados face a face permitem a participação em cafés no Second Life, via internet, e no Maestro, via telefone. A partir das conversas feitas nestes meios, é possível colher todo o conhecimento produzido e disponibilizá-lo de forma interativa e democrática na internet. A exploração de novos suportes midiáticos potencializa em escala global o alcance das “conversas”. “Estamos aprendendo coisas incríveis. Por exemplo, estávamos em uma conversa e diversos de nossos jovens “techies” tiravam fotos, faziam esquemas gráficos, estavam registrando tudo que estava acontecendo,postando em nosso global blog. Então agora, todas as pessoas então acessando de diversas partes, fazendo observações, reflexões”, diz Juanita Brown sobre a interatividade das novas mídias.

A integração de todas estas possibilidades torna o World Café numa ferramenta de potencial comunicativo imenso. Proporcionam não só conversas interessantes, mas também diálogos significativos que permitem criar possibilidades de construir coletivamente uma nova consciência social, seja no ambiente de trabalho ou na comunidade. O café, neste contexto, não é apenas uma forma de se manter funcionando ao longo da rotina, pensando de forma “engessada”. Ele literalmente desperta para novos meios de comunicação e interação.

Leia mais no site oficial

Link para artigo sobre Cafés intergeracionais por Juanita Brown e David Isaacs

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