A escusa acabou. E agora, Corinthians?


Ronaldo desolado depois do apito final (foto: Reuters)

Início de 2010. Era o ano do Centenário, engrandecido pelos próprios corinthianos como o ano de consagração do time. Era em 2010 que o Corinthians ganharia todos os títulos que disputaria.

Passaram Campeonato Paulista, Libertadores da América e Campeonato Brasileiro. Os títulos não vieram e o ano do Centenário passou em branco.

Depois da eliminação na Libertadores de 2010, Ronaldo, o messias da tal República Popular do Corinthians, pediu calma aos torcedores. “Até setembro, podemos ganhar a Libertadores no ano do Centenário” disse – e que bela solução! O que Ronaldo não considerou, é que o tempo não era o problema do Timão.

Durante todo o ano passado, o Corinthians deu uma aula de incompetência a todos que quisessem ver. Para deixar o assunto mais recente, faço menção apenas à perda do título brasileiro. Desconsiderando as claras entregadas de jogos ao Fluminense (que se pode, sim, considerar vingança), o Corinthians, por incompetência, caiu de candidato a título para classificado para a Pré-Libertadores.

Assim como a semifinal do Mundial Interclubes, a Pré-Libertadores nunca foi preocupação. Afinal, nenhum time brasileiro deixou de participar do campeonato por causa dessa simples burocracia. Um joguinho, com um time fraco… Tranquilo! Mas a sabedoria popular já avisaria, “tudo tem uma primeira vez”. O Internacional estava aí para provar. Foi à Dubai com a cabeça na final e caiu diante do desconhecido Mazembe.

No caso do Corinthians, as mudanças são somente os nomes. De Mundial para Libertadores, de Mazembe para Tolima.

Tolima? Da Colômbia? Quem conhecia? Muitos torcedores tinham essas questões na cabeça e assistiram ao primeiro jogo do confronto esperando uma “sacolada” no Pacaembu.

O jogo foi péssimo, Corinthians irreconhecível e um Tolima sem a menor força de ataque. Ambos apáticos em um justo zero a zero. A esperança ficou para os últimos 90 minutos em Ibagué (COL).

No segundo jogo, o Tolima não tinha pressa e mantinha a posse, esperando buracos na defesa adversária. O Corinthians, como no primeiro jogo, continuava com uma postura extremamente apática. Mostrava-se sem saber o que fazer para parar o time colombiano, que acabava parando, mesmo assim, na falta de qualidade. Não saía o passe final do Tolima, aquele para colocar o artilheiro na cara do gol. Mesmo assim, em bolas respingadas de divididas, ou algum passe que entrava, os colombianos chegavam de frente com Julio César (1). E era grande a pressão para cima dos brasileiros.

Durante todo o primeiro tempo, Chará (21) pela direita e Castillo (13) na armação davam trabalho para o Timão, que recuava cada vez mais. A falta de qualidade dos colombianos limitava o jogo a chutes de longe e lançamentos, que às vezes passavam pela péssima linha de impedimento da defesa corinthiana.

O ataque corinthiano, sem Bruno César (que ficou no banco, por escolha do técnico Tite), contava com os apáticos Dentinho e Jorge Henrique, junto com o (há tempos) pouco eficaz Ronaldo.

No segundo tempo, com declínio da qualidade de passes do Tolima, houve um rápido momento de pressão corinthiana. A defesa, porém, continuava sofrendo com os lançamentos e passes em profundidade.

Assim saiu o primeiro gol do time colombiano. Um passe em profundidade de Murillo deixou Santoya livre para bater de pé esquerdo.

Tite agiu prontamente, com duas substituições. Entraram Danilo e Luís Ramirez no lugar de Dentinho e Paulinho. Em seu primeiro lance, Luís Ramirez transpareceu falta de maturidade e experiência. Ele foi expulso de campo depois de revidar a entrada dura de Chára com uma cotovelada.

Medina comemora o segundo gol do Tolima (foto: AP)

Daí pra frente o domínio voltou às mãos do Tolima. Com a defesa corinthiana em câmera lenta, Murillo caiu pela ponta direita e deu um cruzamento perfeito para o gol de Medina. O Corinthians, sem qualidade para reagir, sofre com inúmeras trapalhadas causadas pela pressa enquanto o relógio anda.

Termina o jogo, 2 x 0 para o time colombiano e o Corinthians vive mais um drama. O sonho cai por terra mais uma vez. Agora, acabaram as tentativas e desculpas. O Centenário acaba “oficialmente” sem o tão sonhado título. A décima primeira posição no Paulista não pode mais ser justificada pela suposta prioridade à Libertadores. E sem a desculpinha, ainda não se sabe o que fará a diretoria para consertar o vexame.

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2 Respostas para “A escusa acabou. E agora, Corinthians?

  1. Carolina Vellei 3 de fevereiro de 2011 às 16:35

    Eu, corinthiana, admito que li seu texto e concordei com cada palavra! Parabéns pela eloquência… Só assim pra corinthiano ver que o seu time realmente está fazendo…

    Ei Diretores de Jornalismo da ESPN, Lance, SportTV e afins: OLHO NO GAROTO!

  2. Camilla 3 de fevereiro de 2011 às 02:39

    Nossa Raphael, só pq você escreve bem te dou estrelinhas!! Não merecia pelo conteúdo, viu?

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