Arquivos Mensais: fevereiro 2011

O incômodo do ‘Cisne Negro’


Sim, porque o filme incomoda. Não achei palavra melhor para designar a sensação de dúvida, estranhamento e identificação vivenciada ao vê-lo no cinema. Vá lá assistir para saber do que estou falando ou admita-se como insensível se você não concorda. Nada de loura angelical, nem morena tentadora, como pregou durante tanto tempo a literatura. Já era o maniqueísmo dos contos-de-fadas, o mocinho contra o vilão. E está aí o drama psicológico ‘Cisne Negro’, que estreou em 4 de fevereiro nos cinemas, para não nos deixar mentir.

No longa, a protagonista Natalie Portman encarna com genialidade o papel de uma moça ‘certinha’ que precisa encontrar sua versão ‘malvada’, por assim dizer, para realizar um grande sonho. Para tal transposição entre Natalies, o longa abusa de metáforas e imagens já desgastadas, como o branco e preto, a gêmea do mal e a do bem. A sensação de realidade experimentada talvez venha do fato de ser o balé (e a ideia de dedicação que o envolve) o plano de fundo para a criação do ‘lado B’ da personagem.

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Vampire Weekend surpreende durante a semana


Durante o ano que minha irmã ficou em Barcelona fazendo intercâmbio, ela adquiriu o saudável hábito de me mostrar diversas bandas que conhecia por lá. Entre tantas dicas, uma chamou a atenção. É bem verdade que no começo achei que era apenas mais uma banda boa e um pouco diferente das centenas que eu costumava ouvir no Stereomood. Músicas alternativas, ritmo envolvente. Algo diferente dos sons trazidos pelas rádios todos os dias.

Na última semana, minha irmã me deu um ingresso para ver essa tal banda: o Vampire Weekend. Como gostei das músicas que tinha ouvido e já tinha perdido o show do Efterklang, um grupo dinamarquês que ela também me chamou pra ver, nada melhor do que aceitar o convite.

Não parecia um mega show. Nada a ver com Black Eyed Peas, Beyoncé, ou esse tipo de artistas que não saem do nosso dia a dia nem que a gente queira, e trouxeram super produções para o Brasil há pouco tempo. A entrada não estava lotada e ainda era possível comprar ingressos na bilheteria. Já eram dez da noite e entrei no Via Funchal. Menos da metade do espaço estava preenchido e após a música “Nosso Sonho” de Claudinho e Buchecha (!) a luz se apagou. Entraram no palco os quatro integrantes: o vocalista e guitarrista Ezra Koenig, o tecladista, guitarrista e vocalista de segunda voz Rostam Batmanglij, o baterista Chris Tomson e o baixista Chris Baio.

Vampire Weekend em ação

Ezra Koenig e Chris Tomson em destaque no show do Vampire Weekend em São Paulo

 

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Alimento para grandes ideias


Como imaginar que conversações regadas a café seriam a base para uma nova forma de  comunicação? Esta é a

Desenho que reúne os princípios do World Café

proposta do World Café, um processo no qual, diálogos focados em torno de questões relevantes são realizados em formatos de “conversas de café”. Seus co-fundadores- ou “descobridores” (founders) – Dra. Juanita Brown e David Isaacs – iniciaram esta trajetória em 1995, em uma tarde chuvosa da Califórnia entre amigos, e hoje já se espalhou por seis continentes e em diversos setores da sociedade.

As “conversas” são realizadas de forma simples e direta, seguindo sete princípios básicos – criar um ambiente acolhedor, estimular a contribuição de todos, compartilharem descobertas coletivas, por exemplo- para que possam ser levadas a qualquer lugar do mundo, mantendo a essência do World Café. Quatro pessoas sentam-se em torno de uma mesa, decorada com flores e toalhas de mesa “rabiscáveis”, discutem entre si uma questão relevante sugerida pelo anfitrião e depois trocam de lugar, para compartilhar as ideias. Uma grande rede de conhecimento começa a tomar forma. Desta forma a inteligência coletiva é construída a partir da colaboração única de cada um presente e uma sinergia estabelece-se entre os presentes. Os pontos abordados são reunidos por um facilitador gráfico em uma tela para que todos possam ver o desenvolvimento. A profundidade que as conversas alcançam tem uma grande capacidade de transformação e ruptura com paradigmas estabelecidos.

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A escusa acabou. E agora, Corinthians?


Ronaldo desolado depois do apito final (foto: Reuters)

Início de 2010. Era o ano do Centenário, engrandecido pelos próprios corinthianos como o ano de consagração do time. Era em 2010 que o Corinthians ganharia todos os títulos que disputaria.

Passaram Campeonato Paulista, Libertadores da América e Campeonato Brasileiro. Os títulos não vieram e o ano do Centenário passou em branco.

Depois da eliminação na Libertadores de 2010, Ronaldo, o messias da tal República Popular do Corinthians, pediu calma aos torcedores. “Até setembro, podemos ganhar a Libertadores no ano do Centenário” disse – e que bela solução! O que Ronaldo não considerou, é que o tempo não era o problema do Timão.

Durante todo o ano passado, o Corinthians deu uma aula de incompetência a todos que quisessem ver. Para deixar o assunto mais recente, faço menção apenas à perda do título brasileiro. Desconsiderando as claras entregadas de jogos ao Fluminense (que se pode, sim, considerar vingança), o Corinthians, por incompetência, caiu de candidato a título para classificado para a Pré-Libertadores.

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Na contramão


O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e sua equipe divulgaram um plano para melhorar o tráfego… de carros. Um plano sem prazo nem previsão de custos. A justificativa? Reduzir congestionamentos e melhorar a qualidade do ar.

Insensatez é palavra mais razoável para isso tudo. O projeto se baseia em anéis concêntricos de vias expressas por toda a Grande São Paulo. Para que saia do papel, mudanças devem ser feitas na malha viária paulistana – algumas estão em andamento. Entre elas: a criação de mais faixas e a construção de pontes, viadutos e túneis. Ninguém precisa cursar Economia para perceber que o custo disto tudo será alto, muito alto. Isso sem contar com o aumento da impermeabilização do solo.

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