A poesia dançada de uma vida íntima


O último acorde se alonga e cessa. Os corpos param de se mexer, envolvidos em um longo abraço. Faz-se escuro e uma salva de palmas interrompe o transe. “Eu queria que não acabasse”, comenta a amiga sentada ao lado. “Eu poderia ficar assistindo para sempre.”
Depois de presenciar um dos mais belos pas-de-deux que já vi, o segundo movimento de Bachiana n°1,  coreografado por Rodrigo Pederneiras para a São Paulo Companhia de Dança (SPCD), percebi neste comentário o sentido da dança. Saiba mais

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A USP na Contramão da Inteligência


Eram por volta das 22h30 quando resolvemos ir em direção ao ponto diante dos bancos. Era uma noite fresca e estávamos empolgados com o debate após a aula de segunda-feira, e então, resolvemos dispensar uma carona até o metrô para irmos juntos de ônibus.  A conversa animada afastou por um tempo a preocupação com a epopeia que poderia ser a volta para casa. Aliás, voltar para casa tem sido uma epopeia tão homérica quanto à da Ilíada.

No ponto consideravelmente populoso para o horário, o papo foi interrompido com a chegada do Santana 177H, que serviria para nós três. Logo vi que a alegria duraria pouco tempo, porque já se percebia aquela massa homogênea através das janelas, indicando os corpos prensados uns aos outros. Não dava nem para por o pé através da porta. Deixamos passar, e nosso receio com a hora avançada foi aumentando. O papo continuou, com algumas interjeições preocupadas. A demora era certa; os carros passavam, muitas vezes ocupado apenas pelo motorista,  indiferentes à massa que ia se aglomerando no ponto.

Cansados de esperar e preocupados com o fechamento do metrô, uma vez que já passavam das 23h, migramos para o ponto diante da ECA, onde passa o Circular. Havia ainda mais pessoas esperando, com uma cara de desolamento.

– Pô, cara, já passaram uns dois ônibus Circular. Impossível de entrar,  disse um dos estudantes que aguardavam.

Lá no fim da rua, vinha mais um ônibus. Mesma história. Mal cabia uma molécula de oxigênio, quanto mais 15 ou 20 estudantes que aguardavam no ponto. Quem havia conseguido um lugar, continuava fixado, indiferente aos pedidos de “dar um passinho para trás”. Nos recusamos de novo a virar bolinho prensado.

– Será que vamos de táxi?, perguntei.  Mas a ideia de torrar essa grana não era muito atraente. De qualquer forma, nenhum dos dois tinha um tostão no bolso.

-Vamos a pé?, perguntou meu amigo.

– Nem pensar, nesse escuro é perigoso. E não chegaríamos a tempo para o metrô.

Impossível caminhar com calma nas ruas mal iluminadas e perigosas da raia a essa hora. Resolvemos voltar ao ponto inicial, para tentar uma carona. Já eram por volta das 23h30. Ficamos berrando para os carros pararem, quando um finalmente encostou. Com um sorriso estampado no rosto, alegre em ajudar, o bixo de Letras, que já era veterano de Geografia, nos levou até o metro. Sujeito simpático, me fez pensar que eu nunca mais passaria indiferente ao ponto lotado quando estivesse de carro. Na porta do metrô, que estava perto de fechar, agradecemos a ele como a um santo por um milagre.

Meu caminho ainda seria mais rápido. O de outros colegas que chegavam ao metrô ainda teria algumas horas por vir.

Dormi tarde para acordar cedo e a única coisa em que pensava era na minha indignação com a demora de mais de uma hora para poder SAIR da faculdade. As alterações nas linhas de ônibus que passam pela USP não foram simplesmente de trajeto, mas na rotina de grande parte dos estudantes que dependem deste meio de transporte.

O Jornal do Campus noticiou em sua última edição a alteração nas linhas Santana 177-P, 107T Tucuruvi  e  7725-10 Rio Pequeno – Metrô Vila Madalena, e os transtornos que causaram à vida dos estudantes. Sem contar na polêmica extinção dos Circulares gratuitos, para dar lugar a uma linha operada pela SPtrans, no ano passado, que supostamente traria o benefício da integração gratuita com o metrô Butantã.  Supostamente, porque, para adentrar os ônibus destas linhas, que agora são cobradas para aqueles que não pertencem à “comunidade uspiana”, é preciso ter o Busp e muita disponibilidade de tempo na agenda. As filas são quilométricas no terminal Butantã. Não dão conta do fluxo de estudantes, funcionários e passageiros que a utilizam. Demoram para chegar e para sair. Ficam empacados naquele curto trajeto até o P1, geralmente entupido por carros.

A SPTrans alega “que se trata de um projeto de realocação de rotas, causada pelas mudanças que o metrô Butantã trouxe para a região, o que sobreporia alguns trajetos”, segundo o JC. Mas como é possível realocar  rotas,  inclusive evitando completamente sua entrada na USP, sem disponibilizar outras formas de acomodar o mesmo fluxo de pessoas que necessitam delas? Já a USP lava as mãos, responsabilizando a operadora da linha.

Com isso, a “grande” Universidade de São Paulo, ó centro de produção de conhecimento, fecha cada vez mais suas portas ao mundo, afasta os talentos, o capital social que a faz supostamente tão boa. Que política de permanência pode haver, por parte da direção da USP, quando uma simples viagem da porta da sala de aula até o metrô é sinônimo de inferno para estudantes que moram longe, de vez em quando até em outra cidade? Como não pensam no impacto destas mudanças para  aqueles que frequentam a Universidade, e em como ampliar seu acesso, facilitar sua entrada?

Chame de ensaio, artigo, lamento, ou drama de burguês. Esse desabafo não deu para conter. Fico indignada com a falta de respeito demonstrada aos estudantes, quando se ignora a situação precária do transporte e do acesso ao espaço da USP. É revoltante gastar  tantas horas, em pontos escuros, perigosos, para quando finalmente chega um ônibus, não conseguir entrar por causa da lotação absurda.

Com certeza, o meu trajeto não era o mais distante, então se para mim era ruim, imagine para os outros. E, com certeza, é um reflexo da situação da própria cidade de São Paulo, que se torna cada vez mais insustentável e hostil. Cada vez mais, os problemas da Cidade fora dos muros se refletem na Cidade Universitária, dentro dos muros.

Na USP, preferiu manter-se a política do “não-diálogo” e da “não-transparência” com toda a comunidade que usufrui destes serviços, ao não esclarecerem para as pessoas o porquê das mudanças nas linhas, e o que poderia ser feito como alternativa. Não nos foi oferecido nada. Que no mínimo restaurem as linhas que foram retiradas.

Na contramão, a Universidade congestiona a sua própria atividade fim, que é a produção de conhecimento e inteligência.

“Gonzaga – De Pai pra Filho”: a emocionante história do Rei do Baião


Quase um mês e meio depois da estreia do filme “Gonzaga – De Pai pra Filho”, no dia 26 de outubro de 2012, ano do centenário de Gonzaga, uma sala de cinema praticamente cheia reflete que a história do rei do baião reverberou com o público.

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O longa do diretor Breno Silveira, que também dirigiu um dos maiores sucessos do cinema brasileiro “Dois Filhos de Francisco”, já ultrapassou a marca de um milhão de espectadores. Ele aborda uma temática similar à de “Dois Filhos”: ambos com origem no nordeste, contam sobre as mazelas do sertão e sobre a delicadeza das relações humanas, principalmente as entre pai e filho, que nesta obra fala sobre como passaram anos brigados.
Mas desta vez, quem conta a história é o filho de Gonzaga, o artista também famoso Gonzaguinha. Saiba mais

Breguice legionária urbana


Eu sempre fui das pessoas mais clichês. Ainda que, para alguns, isso se disfarce sob um punhado de roupas jogadas, cabelo repicado e anéis (milimetricamente) mal jogados, sempre fui (e continuo sendo) clichê. De gosto musical a literatura, sempre curti os classics: aos 14 anos descobri Pink Floyd, depois de começar a gostar do tal “rock” com o grunge do Nirvana. Sempre ouvi falar de um tal Freddie Mercury e, aos 15, me apaixonei perdidamente por Led Zepellin (uma das minhas bandas favoritas até hoje).
 
Mas foi também aos 15 que uma tal “Legião Urbana” começou a ganhar espaço. Como pessoa cliche, até então só conhecia uma meia duzia mais famosa (como “Pais e Filhos” e “Será”). Por causa de uma apresentação de dança, ao fim do primeiro colegial, decidi conhecer um pouco mais. E desde então, essa legião tomou conta de mim e narrou muitas das minhas narrativas, madrugadas e noites a fio. Trilha sonora das amizades que adoçam meus dias (até hoje), dos amores platônicos não realizados ou dos amores vividos terminados. Lembro de ficar minimamente brava quando ouvi a primeira crítica ao legião: “pop e brega de doer”.

Alguma dúvida de que legião é, no mínimo, ABSOLUTAMENTE brega? (capa do cd “O Descobrimento do Brasil”, de 1993)

 
Ao me dirigir ao Espaço das Américas, tinha em mente que não veria o LEGIÃO, mas um tributo com caras que rodaram o país para fazer um som, devidamente acompanhados do (meloso-brega-genioso) Renato Russo. As linhas do tempo se faziam visíveis desde que os vi no Acústico Legião: Marcelo Bonfá, com os cabelos dourados, me pareceu sério e por vezes mecânico, meio robô. Dado Villa Lobos, o mais sério de todos até então, mostrou-se impecavelmente chamoso, com uma tatuagem no braço esquerdo, e mais emocionado do que o habitual. E confirmou ser, para mim, o meu preferido no violão (suspeita que tive desde que ouvi “Índios”, na versão acústica, pela primeira vez).
 

De sério e marrento, Dado Villa lobos torna-se o charmoso (devidamente) malcriado ao mandar um “fã” embora. “Vai para casa, querido, teu lugar não é aqui. Sai, sai”.

 
Talvez parte dos holofotes destinados à (suposta) última vez de Bonfá e Villa Lobos juntos no palco, cantando os sucessos da Legião, tenha sido roubada pelo moço de Rodelas, cidadezica do interior da Bahia. Saltitante e com as veias saltando do pescoço, Wagner Moura levou um numero considerável de mocinhas (e por que não rapazes?) ao delírio. De calças jeans, camiseta cinza e barbicha mal feita, Wagnão não demonstrou a pretensão de substituir Renato Russo. Apesar de estar sobre o palco, ele se portou, do primeiro ao último minuto de show, como fã incondicional (legionário e apaixonado) do Legião Urbana, ressaltando a importância da banda para ele e para o (“pop”) rock nacional. Antes de tocar “Via Láctea” e “Esperando por mim”, duas faixas do CD “A Tempestade” nunca tocadas pela Legião, Wagner contou a história desse CD, dizendo que ele foi feito quando Renato já estava doente. “As letras são fortes, bonitas, mas muito tristes. Renato andava triste, estava doente e deixou isso transparecer muito nesse CD. Deve ser muito difícil para Dado e Marcelo tocarem essas músicas e gostaria de agradecer, como fã, por eles tocarem elas agora e me deixarem dividir o palco com eles”. Como fã, Wagner deixou escapar qual era a sua favorita, logo no começo do show: “Tenho mil favoritas, mas sempre choro antes de Andrea Doria”, confessou.
 
Durante 2h30 me descobri  ainda apaixonada por Legião. É engraçado ver os caras no palco e mudar percepções construídas apenas com cd’s, vídeos e dvd’s. De simpático, Bonfá ficou sendo o durão. De moço sério, Dado passou a charmoso e mal criado (pois mandou um suposto “fã” embora, em certo momento do show): “Seu lugar não é aqui não, meu filho. Vamos espantar o baixo astral”. A razão? “Desculpa aí gente, mas ele me xingou e ofendeu a minha mãe, que está aqui”. Wagner, ator-cantor-modelo-dançarino, torna-se o fã saltitante que pulava mais do que qualquer outro no Espaço das Américas. “É a última vez de Dado e Bonfá juntos, minha gente. Bora aproveitar, porra”, disse inúmeras vezes, com aquele sotaquezin baiano pra lá de dengoso.
 
Fazia tempo que eu não ouvia Legião. Tempo Perdido, Há Tempos, Teatro dos Vampiros, Geração Coca-Cola (que teve uma nova versão sensacional, apimentada com gaita e violão), Quando o Sol Bater na Janela do Teu Quarto, Perfeição, Eu Sei, Daniel na Cova dos Leões, 1965, Monte Castelo (considerada o ápice dos clichês, ganhou uma versão leve, bela, com baixo, violoncelo e orquestra sinfônica) e tantas outras. “Damage Goods”, da Gang of Four, era desconhecida para mim até então, foi uma das melhores surpresas do show, cantada por Dado sorrindo. “Essa é uma das canções importantes que formaram a gente. O Renato estaria muito orgulhoso dele aqui hoje”, disse, emocionado. Ao cantar cada uma delas, um filminho, com flash backs e projeções, se passava na ninha cabeça. As descobertas do colegial, a retrospectiva dos meus 15 anos, os tantos e tantos versos que talvez antes só me pareciam bonitos e hoje fazem mais sentido do que nunca. “Você diz que seus pais não lhe entendem / Mas você não entende seus pais/Você culpa seus pais por tudo / Isso é absurdo” ou “Acho que não sei quem sou / Só sei do que não gosto / E destes dias tão estranhos / Fica a poeira se escondendo pelos cantos”.
 
 
“Pais e Filhos”, um dos hinos da Legião, conhecido-de-cor-e-salteado mesmo por aqueles que detestam a banda, ficou para o finalzinho, no bis.  Foi, sem dúvida, a música mais cantada e mais chorada por todos os fãs ali presentes. Quando os músicos se abraçaram e se curvaram, no que deveria ser a despedida do grupo, o público começa a gritar, numa mescla de odem e pedido: “Faroeste! Faroeste!”. Sem esperar a saída do grupo, as 8 mil pessoas ali presentes começam a cantar os primeiros versos da música considerada o “batismo” para os fãs de Legião. “É o seguinte: essa música nós nunca ensaiamos”, disse Wagner, um tanto surpreso. Após segundos de expectativas, Dado e Bonfá puxam os acordes que narram a famigerada história de João de Santo Cristo, para a insanidade do público presente e do fã Wagner Moura.
 

Deve ter havido quem achou o show uma bosta. Que achou Wagner desafinado (ou mais do que o já esperado). Que saiu querendo uma cópia melhor do Renato Russo. Para quem não encontrou a Legião Urbana sobre o palco (talvez devido a falta de Renato Russo), nada de surpresas. A Legião Urbana não estava (só) no palco; dizia Russo que a Legião éramos nós. Desafinado algumas horas e com o sangue pulsando nas veias após cada salto, Wagner Moura se mostrou o maior dos fãs e não fez questão algum de esconder isso. O nome “tributo” expressou com propriedade o caráter do show: não se trata de cover, mas de uma verdadeira ODE, dos fãs presentes, a uma banda que, criticada ou amada, tem o seu espaço na história da geração coca-cola. Fãs e músicos se misturavam a todo instante no palco: Wagner incrédulo, por vezes desacreditava dividir palco com caras que embalaram a sua adolescência. Dado feliz com a presença do guitarrista Andy Gill, do Gang of Four, uma de suas referências musicais. De alguma maneira, na noite de ontem, todos foram músicos e fãs.

Cresci ouvindo Legião, cujo hino “Pais e Filhos” inspirou minha mãe para nomear  um dos meus irmãos (“meu filho vai ter / nome de santo / quero o nome mais bonito”). Ao chegar em casa, comento o show com minha mãe. Do único show do Legião que viu, minha mãe sempre conta do episódio protagonizado por Renato Russo e um fã. Russo rodou-a-baiana após um fã ter jogado um copinho de água no palco, o que quase resultou no cancelamento do show. Segundo ela, Russo saiu e ameaçou diversas vezes não retornar ao palco. “Hoje vi uma outra versão de um barraco entre o Legião e os fãs”, eu lhe disse, contando a expulsão do cara que xingou Dado Villa Lobos.

                                                                                   

Ser chichê é difícil. Ao gostar de coisas que “não são da minha época” (uso com aspas, pois acho que algumas bandas são tão boas que não há linha do tempo que limite o seu alcance), sempre me lamentei por não estar viva quando Legião, Cazuza, Freddie Mercury, Led Zeppelin e tantos outros estavam vivos (ou na ativa). Sem ter expectativas de ver uma reencarnação do Renato Russo e reviver a Legião Urbana da década de 80, achei que o tributo mostrou a que veio. Wagner Moura, ainda que ciente da responsa, não teve medo de se jogar e ser mais fã do que qualquer outra coisa. Dado e Marcelo subiram no palco (dizem que pela última vez) para tocar os sucessos da Legião. E o público, sem medo de parecerem bregas ou saudosistas, cantou cada música, assistindo filmes pessoais cuja trilha-sonora foi cantada por Renato Russo ou imaginando como seria viver alguns versos cantados por ele.

Já ouvi amigos dizerem que, pior do que Legião, só um Legionário. Aquele admirador chato, que pede Faroeste Caboclo em todo luau e considera Renato Russo como semi-deus. Sem dar uma de fã ufanista (aliás, nunca gostei do termo “ídolo”), acho que o show de ontem me lembrou por que Legião ainda me faz tanto sentido. Acho que a visceralidade e o exagero dos versos do grupo chegam a uma intensidade considerada “brega”. Ontem, por diversas vezes, ao lembrar versos esquecidos na gaveta da minha memória e ao ouvir declarações apaixonadas de Wagner Moura, me perguntei se “brega” pode adjetivar a Legião Urbana. E concluí que sim. A visceralidade das músicas de Russo, Dado e Bonfá escracha em versos os clichês que, mesmo sob tal condição, se mostram por vezes ausentes no nosso cotidiano. Ou você (principalmente se morar em São Paulo) nunca se perguntou onde diabos anda o amor após uma discussão no trânsito ou após receber aquele “bom dia” obrigatório e seco no trabalho? E o que dizer da solidão sentida mesmo estando rodeado por dezenas de pessoas? E o vazio que nos toma em alguns momentos da vida, mesmo quando nos encontramos repletos do trio “saúde, bom emprego e família”?

Legião Urbana é brega. É escrachado e intenso, sem medo de ser feliz. Faz CDs de capas floridas e vomita o consumismo da geração coca-cola. É trilha sonora perfeita para despedidas, questionamentos políticos, primeiros amores e ressacas amorosas, revoltas internas, luaus com os amigos na viagem de fim de ano e tantas outras memórias boas que serão rapidamente lembradas naquele tal filme interior que antecederá nosso último suspiro. Multifacetada, inconstante, que jura amor e ódio no intervalo de dois versos; doce e revoltada. Legião, bem como o amor e outros clichês que escrevem nossa vida a cada dia, é absolutamente brega. Em meio a tanta banalidade, senso comum e insensibilidade, ouso dizer que precisamos ser mais bregas. Buscar nossas autenticidades; questionar nossas certezas, talvez mudar, talvez não; e fazer o que achar que devemos, sem medo do que os outros vão pensar. Nos descobrirmos em nossas fragilidades, nossos medos, nossas falhas; transparecê-las e, assim, mostrar-nos mais humanos, mais frágeis e menos heróis. Se precisamos de mais breguice, talvez Legião continue sendo lembrado por alguns anos (para o desespero dos cults e alegria dos bregas sensíveis e sentimentalóides).

Um ode ao brega. E vida longa à Legião Urbana.

Long live rock’n’roll


Mais um show de rock. Mais uma multidão. Mais horas de fila e espera.

Primeiro festival de música da minha vida. Típico da cultura norte-americana (que originou o Lollapalooza e tantos outros ), os festivais vem tomado cada vez mais espaço no Brasil. Apesar da presença de bandas como Joan Jett and the Blackhearts, O Rappa e Marcelo Nova (coroa que inspirou tantas bandas do cenário nacional de hoje e que fez um show repleto de rock barulhento e de ironia corrosiva), o quinteto de Chicago era, sem dúvida, a atração mais aguardada da noite. Saiba mais

Olhos verdes difíceis de injuriar


As luzes se apagam. Alguns focos de luz iluminam o palco. Ele entra, discreto, de blusa e calça pretas. O som começa, o violão dá seus primeiros acordes. “Boa noite”, diz, sorrindo.

Acompanhado por uma banda maravilhosa e iluminação belíssima, os olhos-verdes-mais-famosos-do-Brasil começam a apresentação. Ao término da primeira música, ouço os primeiros assobios e “LINDOOOO” da noite. Na timidez que me já parece usual, não me deixo zangar com os poucas falas trocadas com o público. Ele sorri, agradece e inicia a próxima canção.

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Mulher é naturalmente nada


Mais um 8 de Março. Mais um dia em que floriculturas devem ter faturado acima do comum com os que , para comemorar o Dia Internacional da Mulher, comprou uma rosa para dar à esposa, namorada, irmã, mãe, amiga e tantas outras categorias.

Ao longo do dia, recebi alguns “parabéns”. Em todos eles, SEM EXCEÇÃO, titubeei e perguntei: “Parabéns por que?” Em três ocasiões, não lembrei que as pessoas me congratulavam por estarmos no dia 8 de Março. E, para falar bem a verdade, apesar de compreender por que algumas pessoas me cumprimentaram, acho estranho dar os “parabéns” no dia de hoje – que, antes de ser dia de festa, é dia de luta e reflexão.

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Secretaria Municipal de Transporte dispensa verba de R$15 milhões


Emenda orçamentária seria destinada à criação do Plano de Mobilidade Urbana da cidade e do Conselho Municipal de Transportes

Alessandra Goes Alves

Uma verba de 15 milhões de reais, destinada para a Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo, permaneceu ociosa durante o ano passado. O dinheiro foi aprovado pela Câmara Municipal e deveria ter sido destinado à criação do Plano de Mobilidade da cidade.

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Reintegração de posse prende 9 estudantes da USP


Por volta das 6h da manhã de ontem (19/2), a Polícia Militar executou o mandado de reintegração de posse do Bloco G do Conjunto Residencial da USP (Crusp). Ao total, as doze pessoas que se encontravam no prédio foram detidas, sendo nove delas estudantes da Universidade. Os detidos foram encaminhados ao 14º Distrito Policial, em Pinheiros. Saiba mais

Não se esqueça: estamos falando de gente


Quinta-feira. Centro de São Paulo. Dia nublado. Do céu, desce uma garoa fina que acinzenta ainda mais a paisagem. Após ir ao Memorial da Resistência, na Estação Pinacoteca, um incômodo me invade. Uma vontade que, há tempos me acompanha, emerge. Na saída do Memorial, meu amigo vira para mim e diz estar com a garganta seca. “Vamos tomar um suco?“. Aceito. Mas, antes de sentar em alguma padaria, pergunto: “Vamos à Cracolândia?”. Saiba mais

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